Atendimento Psicoterapêutico, Orientação De Pais E Cuidadores E Orientação Vocacional. Gilberto Garcia, Psicólogo

Competência Social

Lazarus e Folkman (apud Yunes e Szyamanski, 2001, p.30) definem estresse como “uma relação particular entre a pessoa e o ambiente que é apreciado por ela como excedente aos seus recursos, o que coloca em perigo o seu bem-estar”. Seu opositor – que pode funcionar como aliviador dos aspectos negativos advindos das situações de estresse – é o coping: o conjunto de esforços comportamentais e cognitivos que o indivíduo emprega a fim de lidar com determinadas demandas, externas ou internas, que surgem em situações de estresse que são avaliadas como sobrecarregando ou excedendo os recursos pessoais (LAZARUS e FOLKMAN apud PESCE et AL, 2004).

Assim como o estresse, o coping deve ser considerado em seus diferentes níveis – psicológico, social e neuroquímico – cada um oferecendo diferentes perspectivas que se intercomplementam (RUTTER apud Yunes e Szyamanski, 2001, p.31).

Hutz, Koller e Bandeira (apud Yunes  e Szyamanski, 2001) chamam a atenção ao fato de que existem vários tipos de resiliência – social, acadêmica, emocional – e que, ser resiliente não significa sê-lo em todas as suas modalidades.

Competência Social é uma característica individual que considera a interação da pessoa com seus familiares e pessoas que lhe são significativas. É o conjunto de fatores que possibilitam ao indivíduo decidir formas de interação com os eventos da vida, tanto para a resolução de problemas quanto para sua auto-realização (CECCONELLO apud CECCONELO e KOLLER, 2000, p.74).

O sucesso da pessoa ao perceber que comportamentos têm maiores chances de êxito diante de uma determinada situação, a autoestima positiva e a autoeficácia são, para Zigler e Trickett (apud CECCONELO e KOLLER, 2000, p.74) importantes para o estabelecimento da competência social, e Kliewer e Luthar (CECCONELO e KOLLER, 2000, p.74) complementam dizendo que esses comportamentos são indicadores da existência de boas habilidades e estratégias eficazes de enfrentamento.

Kliewer diz ainda que a competência social é fundamentada em comportamentos apropriados às situações de vida e nos esforços de adequação desses comportamentos a essas situações.

Similarmente, Del Prette e Del Prette (apud CECCONELO e KOLLER, 2000, p.75) afirmam que competência social é a capacidade individual de comportar-se de modo a atingir os objetivos de uma situação interpessoal, preservando – com equilíbrio de poder e trocas positivas – a relação com o interlocutor. Salienta ainda que o desenvolvimento de características positivas que compõem a competência social – como a autoestima e o respeito aos direitos humanos socialmente estabelecidos – é importante ao crescimento pessoal.

Para Junqueira e Deslandes (Pesce, 2009), resiliência pode ser definida como capacidade do sujeito de, diante de determinadas circunstâncias, lidar positivamente com a adversidade, não sucumbindo a ela – o que não significa que seja e/ou esteja imune a seus efeitos – sem necessariamente eliminá-la, porém, ressignificando-a.

A adversidade, por sua vez, é definida por Kaplan (apud Pesce, 2004) como a “combinação entre a natureza, a quantidade e a intensidade dos fatores de risco”. Ainda este – o risco – não pode ser mensurado e/ou definido de maneira absoluta, posto que, ainda que diante de uma determinada situação possa ser classificada como de risco, em outra pode ser considerada um fator protetivo (Rutter apud Pesce, 2004).

A vulnerabilidade é entendida como a predisposição individual ao desenvolvimento de diversas formas de psicopatologias e/ou comportamentos não eficazes, ou ainda, a susceptibilidade para um resultado negativo no desenvolvimento (Pesce, 2004). Muitas vezes ela é utilizada – erroneamente – como um sinônimo para risco.

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